2. Fruir a aventura poética que constitui o livro em presença, é um privilégio nosso. Dizer sobre e da Poesia, é sempre difícil, problemático, discutível, relativo; arriscamo-nos quase sempre à arrogância das frases-feitas e às previsibilidades comuns; contudo, uma “ideia diferenciada” nos fica do imenso prazer desta leitura, querendo a mesma significar que a atitude poética deste autor, aponta para a memória-do-futuro, para uma ilimitada e fascinante possibilidade de interrogação e de problematização. Podemos afirmar, com a legitimidade da nossa humildade perante o “há qualquer coisa”, que a poesia de Abílio Sampaio é também um filosofar espontâneo, despretensioso e autêntico, que reabilita o espanto do Homem perante o Grande Mistério da Vida e da Morte.
3. A partir deste livro, é impossível não afagar com doçura-áspera, as Fráguas e as Fragas da Natureza e dos homens.
4. Abílio Sampaio é irónico, corrosivo, sarcástico, doce, harmonioso, romântico, melodioso, desbravador, aventureiro, sonhador... lembra-me Nietzsche, compreende (e vive) o mundo como uma grandiosa obra de Arte. Este livro é a «Origem da Tragédia» em poesia.
5. Eis uma poesia dissolvente de razão e de paixão – privilégio dos artistas e poetas. Razão e Sentimento: o que os poetas procuram, está para além desta clássica e cansativa dicotomia.
6. A poesia de Abílio Sampaio é uma chave que tenta abrir a porta da Eternidade. Queremos ser imortais. A partir daqui, a confusão é total. Não há palavras, não chegam as palavras. O que podemos afirmar(!?) Valerá a pena dizer alguma coisa(?) Ou cremos ou não cremos (ou) não queremos.
7. (...) vitalidade, embriaguez, êxtase, diferença, mudança, encantamento; mas... não acreditem em mim. As almas têm fome. Comam este livro!
8. O poeta não poetiza apenas, é ele próprio o poema.
9. Estamos perante uma poesia que põe em prática a redenção do Homem pela reconciliação do Bem e do Mal.
10. Em Abílio Sampaio a máxima deixa de ser o «Conhece-te a ti mesmo» socrático e passa a ser o «Excede-te a ti mesmo» abiliano. A medida e a desmedida. Apolo e Dioniso. A Arte é poderosa! A Arte é, nesta vida, a preparação para o Eterno. O Abílio poderá entender isto como uma “treta”, mas sabemos que os poetas, os artistas, não têm, muitas vezes, consciência do alcance da sua obra. Ensinou-nos Nietzsche que o aborrecimento do mundo é superado pela vivência da Arte. O que seria de nós sem os poetas(!?) Abaixo o «Maria vai com as outras» e o angustiante marasmo do mundo!
11. Obrigado poeta(!), contigo, o mundo espiritualizou-se um pouco mais.
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
RESTOLHAR DE FRÁGUAS E FRAGAS (poesia) de Abílio Sampaio, Editorial Minerva, 72 pp., 2001
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2 comentários:
Gosto muito da forma como escreve!
Olá Angelo, tive a sorte de ter tido o Abílio Sampaio como meu mentor e professor.Marcou a minha vida e personalidade.sabes como pderei entrar em contacto com ele, nada sei dele quase há dez anos. Obrigada
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