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AVULSAS IMPRESSÕES
por Ângelo Rodrigues
1.
Ao ler os poemas de Von Trina, sobretudo o capítulo sobre Timor, recordei aquele famoso e ultimo verso de um poema de António Gedeão: «Abaixo o mistério da poesia!» (poema Enquanto).
2.
von Trina tem uma sofisticada sensibilidade, percebendo, como ninguém, através da mais-valia das palavras amargas e doces, as fraquezas deste mundo, qual dádiva astuciosa dos deuses, e, hironica-mente, sarcastica-mente, retracta a decadência do homem do nosso tempo: a “cultura” do supérfluo, as mazelas do social, a arrogância, a sobranceria, a prepotência, a petulância, a estupidez (...).
3.
O poema é, para Von Trina, uma arma que espicaça as consciências algo adormecidas, uma arma para lutar contra as ideias-feitas, o tudo-pronto, o tudo-dado, o já-pensado, os marasmos quotidianos. A poesia de Von Trina é, assim, um campo de batalha, o inimigo é a excessiva normalidade do Homem: «Arrelia-me a prepotência / Incomoda-me a deferência / Arreporra para a normalidade».
4.
Estamos, com esta provocadora obra poética, no lado mais irreverente e nobre de toda e qualquer criação. O tom lírico-irónico é uma das marcas mais visíveis do fazer-literário deste autor.
5.
Poeta é aquele que resiste, que interroga, que luta, que se inquieta, que se revolta, que subverte o instituído, que diz NÃO(!). Eis um poeta-vidente, profeta, anunciador, avisador, inconformista-radical, idealístico, insatisfeito, crítico de ortodoxias e de algumas deferências, desbravador e caminheiro de sentidos, de diferenças, ousadias, adorador da Beleza deste mundo e dos outros (acessíveis aos criadores-artistas). von Trina é um humanista por excelência, um cidadão do mundo, um homem com alma-grande, proporcional ao seu peso, “bom garfo”, ou não fosse o Homem espírito e corpo (e o corpo de Von Trina não se alimenta apenas com uma sopinha de letras); ao ler os poemas de Von Trina, dá vontade de gritar (alto e a bom som) estes famosos versos da saudosa poetiza Natália Correia: «Ó subalimentados do sonho, a poesia é para se comer». Façam favor de comer a poesia de von Trina! Alguns farão bem a digestão, outros não.
1.
Ao ler os poemas de Von Trina, sobretudo o capítulo sobre Timor, recordei aquele famoso e ultimo verso de um poema de António Gedeão: «Abaixo o mistério da poesia!» (poema Enquanto).
2.
von Trina tem uma sofisticada sensibilidade, percebendo, como ninguém, através da mais-valia das palavras amargas e doces, as fraquezas deste mundo, qual dádiva astuciosa dos deuses, e, hironica-mente, sarcastica-mente, retracta a decadência do homem do nosso tempo: a “cultura” do supérfluo, as mazelas do social, a arrogância, a sobranceria, a prepotência, a petulância, a estupidez (...).
3.
O poema é, para Von Trina, uma arma que espicaça as consciências algo adormecidas, uma arma para lutar contra as ideias-feitas, o tudo-pronto, o tudo-dado, o já-pensado, os marasmos quotidianos. A poesia de Von Trina é, assim, um campo de batalha, o inimigo é a excessiva normalidade do Homem: «Arrelia-me a prepotência / Incomoda-me a deferência / Arreporra para a normalidade».
4.
Estamos, com esta provocadora obra poética, no lado mais irreverente e nobre de toda e qualquer criação. O tom lírico-irónico é uma das marcas mais visíveis do fazer-literário deste autor.
5.
Poeta é aquele que resiste, que interroga, que luta, que se inquieta, que se revolta, que subverte o instituído, que diz NÃO(!). Eis um poeta-vidente, profeta, anunciador, avisador, inconformista-radical, idealístico, insatisfeito, crítico de ortodoxias e de algumas deferências, desbravador e caminheiro de sentidos, de diferenças, ousadias, adorador da Beleza deste mundo e dos outros (acessíveis aos criadores-artistas). von Trina é um humanista por excelência, um cidadão do mundo, um homem com alma-grande, proporcional ao seu peso, “bom garfo”, ou não fosse o Homem espírito e corpo (e o corpo de Von Trina não se alimenta apenas com uma sopinha de letras); ao ler os poemas de Von Trina, dá vontade de gritar (alto e a bom som) estes famosos versos da saudosa poetiza Natália Correia: «Ó subalimentados do sonho, a poesia é para se comer». Façam favor de comer a poesia de von Trina! Alguns farão bem a digestão, outros não.
Site do autor: www.vontrina.com
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